CP400

A noite que sucedeu a chegada do meu primeiro computador foi passada em claro, tamanha era expectativa que o aguardava. Alguns dos meus colegas já dispunham da novidade e o assunto computação, embora incipiente, começava a se alastrar pela rua e pelo pátio da escola, tal qual uma virose. Fui contaminado desde o início e quando a máquina chegou ao meu quarto, ela não me era, de todo, desconhecida. Havia poucos modelos disponíveis e um deles, o meu, denominava-se CP400, da empresa brasileira Prologica. Tratava-se de uma versão tupiniquim do TRS-80 Color Computer da empresa americana Tandy/Radio Shack. Eu o conhecia pelas revistas e pelas rodas de conversas. Não o pedi; um dia, ele simplesmente chegou, e substituiu  por completo as longas horas que eu costumava passar, passivo e abobalhado, diante da Rede Globo. Sobre uma mesa de compensado ruim, especialmente projetada, assentava-se o equipamento, constituído por um aparelho de TV colorido SHARP, de tubo, com 14 polegadas, um gravador National, dois joysticks e o computador impropriamente dito. Digo “impropriamente” porque sua destinação, na maior parte do tempo, era executar jogos. Apesar de ter servido como ferramenta de aprendizado quando fiz o curso da linguagem BASIC, seu papel fundamental era o de um videogame. Naquela época remota, nossa mídia era a saudosa fita cassete, reproduzida pelo gravador que se conectava ao computador. Nela estavam gravados, de forma analógica, os sinais sonoros dos jogos. O procedimento para iniciar o game rudimentar era colocar a fita dentro do gravador, no ponto de silêncio que precedia o início do som, teclar o comando AUDIO ON, que colocava o CP para receber o sinal sonoro, pressionar o PLAY do gravador e teclar MOTOR ON, que efetivamente colocava o gravador para tocar. Um jogo normal requeria cerca de dois minutos de reprodução, mas o Draconian, por exemplo, cheio de fases e desenhos “complexos”, quase quatro minutos. Havia também uma entrada para cartuchos, recurso que eliminava toda essa espera, mas que eu nunca usei, por conta da dificuldade em encontrá-los. A especificação técnica do meu poderoso CP400 era a seguinte: memória ROM de 16 Kbytes, memória RAM expandida para 64Kbytes,  processador Motorolla de 8 bits com o incrível “clock” de 0,9 MHz.