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Embarque

CCR 1970Segundo o dicionário da língua portuguesa Aulete Digital, o termo “férias” refere-se aos dias consecutivos de descanso para trabalhadores e estudantes após um período anual ou semestral de atividades. Logo, o préstimo regular de meus modestos serviços à repartição pública obrigada a me empregar, por conta de aprovação em concurso, qualifica-me no primeiro grupo, o dos trabalhadores. Entretanto, devido à elevada inquietude desta minha mente perturbada, ser um trabalhador não é algo que me deixe satisfeito; na maioria das vezes, as atividades laborais repetitivas e a convivência forçada com outros trabalhadores colaboram sensivelmente para agudizar a tal perturbação. Não, não se trata de uma preferência contundente pela vagabundagem – essa também me ocorre às vezes, embora numa frequência menor -, mas de algo que remete à insuficiência: ser um trabalhador, no estrito sentido do termo, não me é suficiente. A complementação – que infelizmente não envolve percepção pecuniária – ocorre quando disponho das poucas horas de sobra para me dedicar à Literatura e ao estudo de outros temas de igual valor, única e exclusivamente dependentes do meu interesse. Por conta desse esforço específico, vejo-me também um estudante, certamente de caráter informal, mas ainda assim um estudante, na completa acepção da palavra. Informalidade, nesse caso, refere-se a liberdade e não a descompromisso. Portanto, sendo eu um trabalhor-estudante, pois a citada definição do dicionário se cala a respeito dos aspectos formais, declaro-me, sem o menor constrangimento, duplamente merecedor de férias: esse tão almejado e invejado período de descontração. Gostaria então de compartilhar com os pouquíssimos mas fiéis leitores deste blog, invejosos ou não, um único momento de minhas tão merecidas férias, gozadas (excelente termo!) no ano que passou. Estendido na confortável cadeira de um certo aeroporto canadense, estava eu a observar os preparativos que se realizavam no avião que me conduziria até meu destino, quando das caixas de som no teto da sala de embarque emanou uma belíssima música que me era desconhecida, executada num estilo bastante singular por uma banda de rock conhecida, mas cujo nome, à princípio, não consegui recordar. Após um certo tempo, lembrei-me de uma música que remetia muito à que tocava, tanto pela forma quanto pelo conteúdo: Have You Ever Seen The Rain? Pensei então lá com meus botões – relaxados por conta das férias – que se a música a embalar os passageiros naquela sala de embarque também fosse do “Creedence Clearwater Revival”, eu iria precisar conhecer mais detalhadamente o trabalho do grupo. Pois dito e feito; descobri que ambas as canções foram compostas por John Fogerty, o vocalista e líder do “Creedence”, ou CCR, para os íntimos. Ei-la então, a inesquecível música Who’ll Stop The Rain, e uma foto despretensiosa de tudo o que eu assistia:
espera

Expansão

quatro– Trouxe o filme? – perguntou ele.
– Aqui está. Finalmente ficou disponível. – disse ela.
– Creio que houve algum engano.
– Qual?
– Combinamos assistir a um filme adulto.
– Pois você o está segurando!
– Mas há um cavalo na capa do DVD!
– Você sabe que repudio a mesmice. Faz-se necessário expandir nossas fronteiras.
– Tal expansão precisa necessariamente abarcar outras espécies do reino animal?
– O preconceito é sempre maléfico: dificulta novas ideias.
– Veja esta foto aqui na sinopse. Pergunto eu: qual proveito poderíamos tirar de uma mulher manipulando a glande de um rocinante?
– Se você observar esta outra foto aqui, verá que ela o cavalga adereçada apenas com botas, esporas e chicote.
– O que intenta?
– Imitá-los.
– Ainda não conhecia este seu lado cruel.
– Eis a expansão à qual me referia.
– Uma vez que me colocasse na posição de um quadrúpede, você precisaria ser muito, muito sensata.
– O que temeria? As esporadas ou as chicotadas?
– Ambas e mais ainda a combinação chicote e posição “de quatro”.
– Como assim?
– Em virtude dessa tua ânsia por novas ideias, teria receio que fosse acometida pelo impulso masculino de preencher orifícios.