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Posts com Tag ‘aprendiz’

Mikro 11

Por alguma razão ainda desconhecida, mas irresistível, o velho aprendiz medíocre resolveu retomar seus estudos de piano, agora na modalidade autodidata, pelo menos por enquanto. De posse de um instrumento eletrônico menos fanhoso e mais sofisticado que o anterior, queimado por uma descarga elétrica mais rápida que os disjuntores e fusíveis disponíveis, nosso aprendiz pode agora imaginar que está tocando um Bösendorfer Imperial, segundo promete o fabricante do equipamento, de origem japonesa. Assim, imerso nessa ilusão, o aprendiz decidiu acrescentar ao conteúdo do Extrato a maravilhosa pecinha número 11, composta pelo grande Béla Bartók para o seu Mikrokosmos Volume 1. A interpretação é fraca, rústica como de costume, de difícil execução para o aprendiz, mas todos já sabemos que ele não tem o menor pudor de divulgar esta e outras produções vergonhosas.

Estudo Modesto II

Piano FanhosoUtilizando a ardilosa estratégia já mencionada aqui no Extrato, nosso aprendiz medíocre, um iludido congênito, resolve novamente bancar o compositor ao distribuir notas em uma pauta. Desta vez, valendo-se de sua débil criatividade musical, adensa um pouco mais a partitura, inserindo também maiores mudanças e variações. Ao terminar e com a ajuda de seu imprescindível software musical, ele ouve a “música” e gosta do resultado; percebe, entretanto, que não teve piedade de si mesmo, pois o tal Estudo Modesto II lhe demandará esforço hercúleo para ser interpretado ao piano. Assim, ele decide publicar a “obra” nos seus Estudos Modestos de Piano em duas etapas: a partitura, agora, e a interpretação, num futuro absolutamente desconhecido.

Mikro 22

babyAqui, o nosso aprendiz, além de medíocre, mostra-se atrevido e, para os puristas, desrespeitoso. No seu piano fanhoso, transformado em órgão fanhoso, esse intérprete bisonho toca uma pequena grande peça de Bartók: o Mikrokosmos 22. O resultado agradou o aprendiz, conferindo-lhe a coragem devida para publicar aqui no Extrato. Como sempre, a gravação e a interpretação são rústicas. 

Despudor

clavesAcanhando, o aprendiz medíocre aproxima-se de seu piano fanhoso com um lápis, uma borracha e uma folha pautada por pentagramas. Ali, tecla aleatoriamente algumas notas e após um tempo significativo, começam a lhe agradar certas sequências. Apesar de ter as mãos trêmulas por aquele atrevimento, ele registra apressadamente o que julgou aproveitável. Terminada essa fase, ruma para o computador – dispositivo mais apropriado para medíocres como ele – e com a ajuda de um software musical adorna com notas adicionais o que colocara no papel. Pede então para que esse software toque para ele a obra acabada e, orgulhoso, conclui: “Eis um bom exercício para aprendizes como eu”. Imprime então a partitura e volta ao piano fanhoso para executar ele próprio suas mal traçadas notas. Percebe, estupefato, que não consegue ser minimamente fluente naquilo que ele próprio acabara de compor. Assim, profere raivoso: “Merda! Vou ter que treinar até o que eu mesmo fiz?” Nesse momento, nosso intrépido aprendiz é invadido por um enorme desânimo e pensa: “Não posso subtrair tempo do Bartók em prol disso aqui. O que faço agora?” Ele resolve então deixar para a posteridade esse e outros eventuais Estudos Modestos de Piano no seu blog despudorado, especificamente no menu “Trabalhos”, submenu “Música”.

Aprendiz

JanaEis uma pequena grande peça de Béla BartókDance in Canon Form (Mikrokosmos nº 31), gravada e tocada, de maneira rudimentar, por um aprendiz medíocre: eu

Brincar

Alguns dos grandes músicos só admitiam bancar o professor se o aluno já tivesse
superado, de maneira incontestável, o seu período de formação. Numa linguagem mais
popular, só aceitavam o “filé”. Um desses músicos deparou-se, certa vez, com os olhos curiosos do filho de nove anos que, acercando-se dele, o observavam trabalhar ao piano. Disse o filho: “Papai, eu também sei tocar. Deixa eu te mostrar”. O menino então fez uma baita confusão sonora com as teclas do instrumento. Após aquela exibição, o pai pensou um pouco e disse: “Acho que você gostar mais disso aqui”. Ele então posicionou o polegar direito na tecla da clave de sol e tocou sol – lá – si – dó – si – la – si – dó – ré.  Durante aquele prolongado momento, o pai distraiu-se com a dificuldade do filho que tentava aprender a sequência que ele criara, quando, enfim,  precisou retornar ao trabalho. Alguns dias depois, o garoto aproximou-se do pai, ao piano, e disse novamente:  “Papai, eu também sei tocar. Deixa eu te mostrar”. Lembrou-se, sem erro algum, daquele “sol – lá – si – dó – si – la – si – dó – ré” de dias atrás. O pai pensou um pouco e disse: “Acho que você vai gostar mais disso aqui”. Repetiu-se então aquele momento mágico entre os dois, motivado por uma outra sequência de notas. E assim, após uma série desses momentos mágicos, o músico fez o filho cantar e, ao ouvi-lo, teve a estranha recordação de uma infância que não viveu. Descobriu como era bom brincar e empolgou-se: do alto da sua estatura, escreveu 66 peças para os aprendizes.