Croft Port

croftPDevo confessar que a intensidade de minha inesquecível estada em paragens lusitanas teve o vinho como seu elemento fundamental. Não é que a comida portuguesa precise de algum auxílio ou algum adorno para ser apreciada, uma vez que ela, tal qual o vinho português, nunca foi desprovida de personalidade. Acontece que o encontro desses dois, quando adequadamente realizado, enseja em espíritos mais afeitos à gastronomia uma experiência inigualável, quase transcendental. Por exemplo, a combinação do folheado com vitela, servido no restaurante Camafeu da cidade do Porto, com um vinho tinto da região do Douro é algo que meu estilo pobre e rústico de escrita não alcança e nunca alcançará descrever. Para um turista inebriado pelo acolhimento português, há uma certa vantagem do vinho em relação à comida. A bebida podemos levá-la para casa, sem prejuízo dos riscos inerentes, é claro: rompimento da garrafa durante a viagem e a nem sempre alerta Receita Federal. A fim de tentar reproduzir aqui, em terras tupiniquins, um pouco da experiência que tive no citado restaurante portuense, decidi então enfrentar o desafio de levar vinhos lusitanos para o recesso do meu lar. Dentre os que consegui trazer, gostaria de destacar o vinho tinto do porto Croft Port Vintage adquirido na própria adega que o produz, situada na cidade do Porto. A seguir, seguem minhas avaliações canhestras.
Cor: vermelho escuro, rubro;
Aroma: delicado, mas atrativo;
Sabor: doce sem ser melífluo;
Tipo: tinto;
Safra: 2007;
Região: Douro;
Origem: Portugal (terra de beleza bestial);
Nota: 4/5

Marques de Griñon

caliza2Não posso qualificar antigo o apreço que conservo pelos vinhos, uma vez que bebidas alcoólicas não me apeteciam durante a mocidade, época cujos eventos já se apresentam um tanto quanto indefinidos nesta minha memória claudicante. Lembro-me, entretanto, que iniciei o consumo do vinho tinto acreditando tratar-se de uma bebida sagrada: “E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo, e disse-lhe: ‘Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.'” (João 2:9-10). Após ler essa passagem bíblica tão relevante – desfecho da história intitulada “As Bodas de Caná” -, pensei com os meus botões: “Nossa! Jesus transformou água em vinho e não o contrário!”. Assim, instado por essa santa conclusão, corri ao supermercado e adquiri o inesquecível Sangue de Boi: vinho brasileiro, da profícua Vinícola Aurora. Durante o consumo desse líquido, abundantemente adocicado, as primeiras impressões foram sublimes, apesar de um persistente gosto de fumo na língua. Objetivando sorver o máximo de divindade que aquela bebida poderia me proporcionar, acabei consumindo toda a garrafa de 750ml. A primeira hora após essa conquista transcorreu de uma forma, digamos, transcendental, quase mística; período em que trafeguei inúmeras vezes pelos cômodos da casa, correndo e emitindo estranhíssimas risadas sinistras. O tempo passou e, advertido por apreciadores de vinho mais esclarecidos, creio ter atingido um nível mais elevado que esse de outrora. Hoje, posso ter o prazer quase inenarrável – que dura antes, durante e depois do consumo; algo que não aconteceu com o citado vinho nacional – de sorver o sensacional Marques de Griñon Caliza, vinho espanhol que justifica com louvor, no âmbito dos vinhos tintos, a minha preferência por esse país de origem. À seguir, descrevo essa bebida divina à minha maneira; nada refinada.
Cor: bem escura, cor de sangue venoso;
Aroma: daqueles que o instigam a degustá-lo;
Sabor: vigoroso sem ser agressivo;
Tipo: tinto;
Safra: 2008;
Região: Toledo;
Origem: Espanha (terra de meus ancestrais);
Nota: 5/5

Alain Geoffroy

geoffroyDesejoso de compartilhar minha  experiência ao degustar o vinho de nome Petit Chablis Alain Geoffroy, embora sendo um ignorante absoluto em matéria de enologia, peço desculpas antecipadas aos entendidos e me permito o atrevimento de descrevê-lo assim:
Cor: dourado bem, bem clarinho;
Aroma: daqueles que provocam imagens aprazíveis;
Sabor: nos convence a crer que naquele instante a vida é bela;
Tipo: Branco;
Safra: 2007;
Região: Chablis;
Origem: França (só podia ser!);
Nota: 4/5