Pular para o conteúdo

Maternal

As duas manifestações artísticas que mais me encantam são definitivamente a Música e a Matemática. A ordem é essa porque a que está em primeiro lugar me toca há mais tempo, desde tenra idade, quando eu acordava cedinho aos domingos para ouvir o programa da Rádio Globo dedicado ao rei Roberto Carlos. O aparelho de som, que ficava na sala, era simples, da marca CCE, e dispunha de toca-fitas, toca-discos e uma unidade amplificadora com rádio e medidores VU. Naquela hora em que o sol não existia, eu ligava bem baixinho o programa do Roberto, para não acordar ninguém, e me deitava no chão com o ouvido bem perto de uma das caixas, já que não tínhamos fones de ouvido. Essa experiência musical sempre me foi confortante: o escuro da madrugada ficava menos sombrio e a impressão que me acalmava era de que havia alguém por perto, uma companhia para me proteger dos mistérios da noite. Talvez seja por isso, por essa propriedade aplacadora do medo e da solidão, que costumo anunciar que Música para mim não é e nunca foi entretenimento, mas coisa séria, porque não é apenas estímulo sensorial agradável: música que não me acompanha, que não me instiga, que não me acolhe, não me interessa; sequer a chamo Música. Tal qual uma mãe, de dia, ela é essa companheira que me faz prosseguir; à noite, ela é protetora. Sendo a Música para mim um antídoto para o desamparo, não é muito difícil imaginar a voracidade com a qual acumulei canções ao longo dos anos, exacerbada pela praticidade dos arquivos musicais digitais, sem falar do conteúdo musical disponível na Internet. Por algum motivo, há cerca de um mês, resolvi fazer algo para o qual não sou propenso: organização. Totalmente imerso no mundo digital, que é desprovido de ruídos, decidi empreender esforço hercúleo para consolidar meus arquivos musicais num único local, estruturando sua árvore de diretórios de acordo com a qualidade do arquivo, gênero musical, artista, ano de lançamento e álbum. Transformei essa estrutura num arquivo HTML navegável e como o Extrato do Miolo é o veículo pelo qual exibo quem sou e o que tenho, disponibilizo esse arquivo numa nova página, compactado em zip, acessível para download no menu “Trabalhos”, “Música”, “Meu Acervo Musical”. O conteúdo do arquivo não ficará estático, é claro, uma vez que o acervo crescerá na exata proporção de minha disposição para desvendar aquilo que chamo maternal.

Não há comentários

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: