Rhode Island

vacaConsidero a maioria esmagadora das comédias protagonizadas pelo ator Jim Carrey  entre medianas e péssimas. Nesses filmes torpes, o comediante canadense abusa de suas momices infames para tentar deixar sua marca, seja ela positiva ou não: isso pouco importa. Ao arsenal de bestialidades do qual Carrey dispõe freneticamente, acrescentam-se roteiros medíocres e disformes, peculiares aos pastelões da indústria cinematográfica hollywoodiana. Entretanto, nem tudo é um desastre na débil comicidade do ator: lembro-me de uma cerimônia de premiação do Oscar onde, num dado momento, ele se coloca de costas para a plateia, se curva, direcionando sua região anal ao microfone, e pratica uma espécie de ventriloquia com as nádegas. Ainda não houve um discurso que tenha sido mais representativo do evento, mais apropriado para essa festa ignóbil que é o Oscar. Claro está que o sucesso alcançado por Jim Carrey minora significativamente a legitimidade de minhas críticas: o ator é considerado uma estrela da sétima arte e boa parte do dito mundo civilizado o conhece e admira. Confesso, encabulado, que há um único um filme que me faz sentir parte desse rebanho: Eu, Eu Mesmo e Irene (Me, Myself and Irene), dos nada ortodoxos Bobby e Peter Farrelly. A história narra a trajetória de um policial do estado americano de Rhode Island, interpretado por Carrey e suas palermices, desde a absoluta humilhação que sofre, passando por uma esquizofrenia caricata até o tradicional final feliz. No papel da mocinha Irene, par romântico do policial, atua a esquisita René Zellweger, que nos idos do ano 2000 ainda não fora vítima de seus atuais cacoetes faciais e exibia alguns traços de beleza juvenil. Além das belas paisagens, também me atrai a criativa trilha sonora, cujo ponto alto é a música The World Ain’t Slowin’ Down do cantor folk Ellis Paul. Por diversas vezes, tentei empreender esforços para entender as causas dessa minha vontade reiterada de assistir ao filme e rir de suas pieguices, a fonte desse meu incansável apreço; algo definitivamente meu, que não é compartilhado e nem encontra eco nas pessoas mais próximas.

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