Alucinações

Não há melhor exercício para a elevação da autoestima feminina do que transitar pelas dependências de uma faculdade de Engenharia Mecânica; melhor até do que passar por um canteiro de obras. A escassez acentuada de mulheres torna o ambiente insalubre, poluído pelo excesso dos odores produzidos pela testosterona. Há um clima de aridez, próprio das regiões desérticas, e uma paisagem repugnante, monótona e sem cor. O aluno, peregrino nessa terra seca e arenosa, quando se depara com uma moça de contornos minimamente definidos, alucina e julga ver Juliana Paes. O caminhar daquela criatura maravilhosa, que ingenua e inadvertidamente passeia pelo local, o inunda de ansiedade e estranhos fenômenos oriundos da região pélvica passam a incomodá-lo. Ele vê que outros colegas, igualmente ansiosos, começam a rodear a única fêmea-alvo da região e se irrita. Pensa em brigar pelo que já era seu, mas percebe-se um idiota, um macho desesperado numa cena selvagem do Animal Planet. Constrangido, ele recua e volta a peregrinar. Bem mais à frente, uma outra, também de contornos retilíneos,  passa por ele e se transforma repentinamente, diante de seus olhos, na Paula Fernandes.

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