Placebo

Meu avô, exímio troçador, contou que numa sexta-feira bastante desanimada, um colega
de trabalho esbravejou na repartição:
– Que diabos! Essa dor de cabeça me incomoda todo o dia; o dia inteiro.
– Pois eu sei de um remédio muito bom. É tiro e queda! – anunciou meu avô.
– Então me fala qual é compadre!
– Chama Regulador Xavier.
– E isso é bom mesmo?
– Nunca ouviu falar nesse remédio? – perguntou meu avô, surpreso.
– Não!
– Pois é o único que resolve! Toma uma colherada à noite: hoje, amanhã e depois.
Diante da prescrição tão segura e do silêncio circunspecto dos demais colegas, o rapaz animou-se com o tratamento, dizendo que o seguiria à risca. Na segunda, veio ao meu avô:
– Compadre, vim aqui te agradecer. Estou bem melhor.
– Fico satisfeito, compadre.
– Só uma coisinha: ontem à noite, depois da última colherada, minha mulher me perguntou por que raios eu estava tomando remédio pra regras. Ocorreu-me então ler a bula e vi que não havia menção alguma à dor de cabeça. O compadre sabia disso?
– Compadre, presta atenção: remédio bom  é remédio que cura. Curou?
– Curou!
Depois disso, a repartição não resistiu e caiu na gargalhada.

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